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Dos Devaneios Ao Divã

Cada página do livro, Dos Devaneios ao Divã, proporciona ao leitor, enorme satisfação. Sabe-se que o funcionamento da mente humana ao longo da história, exerceu fascínio e curiosidade, não obstante, permaneceu uma incógnita. No decorrer da história da filosofia, muitos filósofos buscaram de algum modo estudá-la, entretanto, com as limitações e dificuldades próprias de cada época, os segredos da mente humana permaneceram velados. Por vezes, muitos romancistas conseguiram analisar a pisque de modo mais intenso que muitos psicólogos hodiernamente. Dostoiévski em Memórias do Subsolo, Balzac em Mulher de Trinta Anos e Herman Hesse em O Lobo da Estepe, penetraram a mente humana de modo profundo e assim como interpretaram os problemas intrínsecos à natureza humana, conseguiram de algum modo, apresentar soluções dignas de um terapeuta. Ao modo dos grandes escritores acima citados, Thiago Berdusco se utiliza do estilo literário, para descrever os processos da mente humana, com o seu conhecimento, proveniente de muitos anos de estudo. Em 1900 Sigmund Freud publica A Interpretação dos Sonhos, a primeira obra psicanalítica propriamente dita. Desde então o estudo da mente humana passa a ser comentado entre os médicos, dos quais se interessavam pela psicologia. As investigações de Freud foram decisivas, abrindo perspectivas para o desenvolvimento da psicanálise. Ao longo de sua vida, o neurologista austríaco conseguiu penetrar nas regiões mais obscuras do inconsciente, assim sendo, abriu as portas para que outros o seguissem. O livro de Thiago Berdusco não é uma obra acadêmica, como perceberá o leitor ao abri-lo e degustar as páginas que se seguem, porém, não há dúvida que tanto o leigo quanto o estudante ou profissional da psicologia, encontrará aqui aquilo que fundamenta o estudo da pisque, isto é, o comportamento humano frente à realidade. Embora o tema inspirador desta obra seja sério e por vezes até difícil de ser tratado na literatura, o autor não deixa de fazer o uso da comicidade, tornando, deste modo, a leitura ainda mais atrativa.

Ainda se observa nesta obra o posicionamento do sujeito que se vê refém da existência, num

mundo marcado pela presença de outrem. O existencialismo notado na obra — perceptível sobretudo no personagem Giovanini — apresenta ao leitor o peso que, sobre os ombros, assim como Atlas, carrega o homem de consciência expandida. Ao mesmo tempo que o homem de pensamento elevado sofre à medida que contempla a realidade e suas relutâncias, também torna-se uma figura cativante que exerce sobre os demais forte atração. Marcante tanto quanto o protagonista é Beatriz, figura indispensável para a composição do enredo desta obra. Assim como a musa de Dante, seu homônimo é imprescindível, para que o personagem central se liberte de sua vida infernalmente solitária. Dentre os tantos elogios que poderiam ser feitos a obra, três deles convém serem ditos. Em primeiro lugar, Dos Devaneios ao Divã prende a atenção do leitor do início ao fim, por abordar temas complexos da existência humana sem muitas complicações ou verborragia, isto é, se o leitor nunca houvera lido obras de psicologia, ainda assim em cada caso deste livro, se deleitará.

Depois, a forma com a qual os personagens são construídos ao longo de cada capítulo, faz com que o leitor, ora se identifique com os personagens, ora os observe com um olhar psicanalítico. A obra, por fim, desperta no leitor a curiosidade pela mente humana, bem como por suas relações internas e externas. A curiosidade também surgirá pelo funcionamento da psique e pelas debilidades psíquicas, causadas por traumas carregados por todos os personagens.


Eduardo Nassar

Caratinga, janeiro 2024







 
 
 

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