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O Teatro da Vida

Se caso fosse possível imaginar a plataforma de uma estação, chamada existência, onde os atores, pouco a pouco chegariam e nela permaneceriam, enquanto o teatro da vida lhes fosse possível, pois que cada qual executaria o seu papel dentro da plataforma e via de fato, chamado destino, permitiria com que os encontros fossem possíveis. Poder-se-á imaginar que o próprio Cristo se mostraria nas imediações da plataforma, como um andarilho, tendo nas mãos uma pequena caixa de madeira, alguns panos e graxa, para engraxar os sapatos dos que padecem com o intelecto, acima da simplicidade do existir. A complexidade das personalidades se daria por meio de suas crenças fundamentadas ao longo de cada processo vivente em específico, mas que, quando estes confrontados com o balançar da plataforma e a proximidade do trem com destino à finitude, seriam agraciados com o entendimento que o Criador e a Criação fazem parte do todo.

A busca pelas lembranças enquanto colocados os pés por sobre a plataforma e o sentimento de que não se viveu o bastante ou que errou quando não se fazia possível agradar ao seu próximo, estaria presente em cada momento em que o trem de partida se aproximasse. Eis que é esse o teatro da vida; seres viventes sem a busca consciente do amanhã, não notando a beleza e completude do Universo que os circundam. As diferentes crenças se unificariam quando o trem de partida se fizesse visível no horizonte e não haveria mais aquele que está certo e o outro sempre errado em sua fé. Reconhecer-se-á, quando o findar se torna inerente, que só o que poderia ter sido feito em vida era apenas respeitar a si mesmo e ao seu próximo.

A obra O Teatro da Vida tenta mostrar de forma suscinta que somos iguais em essência e por qual razão não nos amarmos, ao invés de querermos mal ao outro? A vida e seus atores, o espetáculo da existência, tendo Cristo como observador silente e conselheiro, quando oportuno. O homem que sente enfado, causa relativa ao intelecto que se adquiriu ao longo da jornada; encontrar-se-á na presença da totalidade inserida em si mesma. Quando tal momento se faz presente, o ser que ainda permanece de pé, compreende que a vida é o teatro e os atores vem e vão, enquanto no findar a cortina baixa e no começo de um novo espetáculo está se levanta.

Dentro da plataforma, chamada vida, o batucar na pequena caixa de madeira se fara incessante, pois o homem ouve, mas não escuta e tendo os olhos fechados para o evidente ao seu redor e os ouvidos voltados para o trivial, sofre. Se, pois, fosse possível enxergar a complexidade da Criação, manter-se-ia o homem faltoso para com a crença? Desde a criatura mais ínfima, cada qual, um dia, pisou na plataforma e desta, em algum momento, se despediu.

Faço votos de que você seja lembrado estimado(a) leitor(a) e amigo(a) e que, enquanto a chama da vida ainda permaneça emanando de dentro para fora de você, está dignifique boas ações na Terra. O Universo lhe abre os braços e és, pois, agraciado com a dádiva do existir, dia após dia. Que suas obras sejam grandiosas enquanto existir sobre a plataforma e não pense no trem da partida, pois esse chega e não avisa com antecedência sua chegada. Desejo que quando você se deparar com o maltrapilho ou o necessitado de pão tenha absoluta ciência que ali se mostra Cristo e se isso acontecer, ou se ocorrer em algum momento do seu existir, compreenda a complexidade do todo que o circunda.

Quem sabe, se assim o destino permitir, não desceremos na mesma plataforma, chamada destino e aí então compreenderemos ambos nós, nossa própria existência e missão neste Universo.



 
 
 

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